Deus ama os eleitos e odeia os não eleitos?

O fato de alguns pecadores não serem eleitos para a salvação não prova que a atitude de Deus em direção a eles seja completamente destituído de amor sincero. Nós sabemos através das escrituras que Deus é compassivo, bondoso, generoso, e bom até mesmo para os pecadores mais teimosos. Quem pode negar que essas misericórdias fluem do ilimitado amor de Deus? E é evidente que esse amor é mostrado até mesmo para os pecadores que não se arrependeram.

Eu quero reconhecer, entretanto, que explicar o amor de Deus em direção aqueles reprovados não é tão simples como a maioria dos evangélicos modernos querem explicar. Claramente existe um senso em que a expressão do salmista “Tenho odiado a congregação de malfeitores” (Salmos 26:5) é um reflexo da mente de Deus. “Não odeio eu, ó SENHOR, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos”.
(Salmos 139:21-22) Tal ódio expressado pelo salmista é uma virtude, e nós temos todas as razões para concluir que esse ódio é um ódio que o próprio Deus compartilha.

A diferença do ódio de Deus e do ódio humano é que quando Deus tem ódio, é porque Ele escolheu ter ódio, assim como Ele escolheu amar. Esse não é um ódio derivado do rancor, ou do pensamento maligno, ou da inveja, ou do orgulho. Já que Deus é totalmente Santo e Totalmente misericordioso. Já o ser humano é totalmente dirigido por esses tipos de sentimentos que influenciam constantemente a mente do pecador depravado. O ser humano tem ódio por causa de acontecimentos que o deixa furioso. Apóstolo Paulo nos ajuda entender que todos os seres humanos são filhos da ira, em outras palavras, todos são odiados por Deus, entretanto ao mesmo tempo que somos odiados, sua misericórdia repousa sobre a vida de todos os pecadores, “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados… (Efésios 2:1-9)

Em outras passagens também vemos “Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú”. (Romanos 9:13, Malaquias 1:3). O texto nos revela que Deus estava falando  de uma nação repleta de pessoas ímpias. Então temos um verdadeiro e real senso em que as escrituras ensinam que Deus odeia o ímpio.

Agora precisamos fazer uma distinção muito importante. Deus ama os crentes com um amor particular. Uma família de amor, um amor supremo de um eterno Pai para com seus filhos. É um amor que consome como o amor de um noivo por sua noiva. É um amor eterno que garante a salvação deles do pecado e de sua terrível penalidade. Esse especial amor é reservado somente aos crentes (aos eleitos).

Entretanto, limitar esse eterno e salvífico amor para com seus escolhidos, não torna a compaixão, misericórdia, bondade e amor pelo resto da humanidade insincero ou sem sentido. Quando Deus convida pecadores ao arrependimento e a receber o perdão (Isa 1:18, Mt 11:28-30), suas palavras vem de um coração sincero de um amor genuino. “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?” (Ezequiel 33:11)

Claramente Deus ama até mesmo aqueles que o rejeitam com desprezo sua misericórdia, mas é uma característica diferente de amor, e diferente em grau do seu amor para com os seus.


Tradução por Tiago Hirayama
De John MacArthur
Original: Does God love the elect and hate the non-elect?
“Copyright 2019, Grace to You. All rights reserved.  Used by permission.”

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