O que Esperamos da Liderança e Membresia da Igreja.

Por Charles H. Spurgeon
Caráter santo
 — Integridade, dignidade, retidão. Esta santidade deve manifestar-se na comunhão com Deus. O evangelho exige um compromisso ético com a nossa mensagem. A grandeza transformadora e radiante do evangelho deve ser visível em nosso comportamento (Gl 2:20; Fl 1:27; I Ts 2:8-10; I Co 9:27). O evangelho é o poder de Deus que transforma o homem todo, bem como todas as suas relações.

Ser exemplo, ser coerente (= quando os lábios e a vida estão de acordo). Usar a santa arma do chamariz; quer dizer, o exemplo, indo nós mesmos a Cristo, vivendo nós mesmos piedosamente em meio a uma geração perversa; nosso exemplo de alegria e tristeza, nosso exemplo de santa submissão à vontade de Deus na adversi-dade, e em toda forma de procedimentos benévolos, será o meio de induzir outros a entrarem no caminho da vida (At 3:4; I Pe 2:12; Rm 12:1-2).

Espírito humilde — Dá glória a Deus; não espera elogio. Paulo, quando pregava em Atenas, e contendia com os filósofos epicureus e estóicos, foi hostilizado verbalmente. Houve quem perguntasse: ―Que quer dizer esse tagarela (spermologos)? (At 17:18). ―Spermologos, ao que parece, era uma gíria ateniense, que significava literalmente um ―catador de sementes, sendo o termo aplicado aos pássaros comedores de semente. A palavra passou a ser aplicada aos homens que procuravam encrencas, depois, a homens que buscavam produtos de segunda mão por preços baixos no mercado — pedintes. Daí, metaforicamente, foi utilizada para se referir àquelas pessoas que reúnem retalhos de informação para tagarelar sobre eles; em outras palavras, ―fofoqueiro, ―caçador de verbetes, ―plagiador, ―charlatão.

O que nos chama a atenção neste particular, é o fato de Paulo não discutir sobre esta maldosa e caluniosa insinuação. Ele procedeu polidamente (At 17:22-23), pregando o evangelho. Ele tinha algo mais importante a fazer naquela cidade do que ficar se defendendo de acusações ou de brincadeiras de mal gosto. Paulo era um intelectual, porém quando insultado intelectual e moralmente, nem por isso deixou-se ofender tão facilmente. Ele não se desviou da sua rota: a pregação do evangelho de Cristo. O que de fato lhe revoltava era a ignorância espiritual do povo (At 17:16).

Ter uma fé viva — Crer que é chamado para testemunhar; crer que a mensagem que lhe cabe transmitir é a Palavra de Deus; crer que a mensagem tem poder; esperar que Deus o use. Não envergonhar do evangelho (Rm 1:16; II Tm 1:8).

Sinceridade evidente – Fica claro o ouvinte que a testemunha crê firmemente nas verdades que proclama; fala de coração e não como ator. A nossa proclamação fundamenta-se na Palavra, através da qual, tivemos nossa experiência salvadora (Mc 5:18-20; Mt 28:19-20). Ser testemunha (= ―saber o que vai dizer; ―sentir-se em casa quanto ao seu assunto). Ser salvo e ter certeza disso (I Tm 1:16).

Servir ao evangelho, com singeleza de coração — Sem interesses pessoais; não movido por outras razões a não ser a glória de Deus. Nós somos comissionados a usar os nossos talentos a serviço do evangelho. Não podemos tornar o evangelho um meio para os nossos interesses; antes, ele é o meio para a glorificação de Deus (I Co 9:23; II Co 4:5; Fl 2:22; 4:3; I Ts 3:2). Pregar de boa vontade. A nossa pregação é motivada pelo desejo de glorificar a Deus, através da conversão do Seu povo. Qualquer outro motivo que assuma a preponderância em nossa tarefa, desvia o sentido da evangelização (Fl 1:15). Desinteresse financeiro (II Co 11:7; I Ts 2:8-9; Mt 10:10; I Co 9:14).

Completa submissão a Deus — Rende-se à mente e à vontade de Deus; é sensível à influência do Espírito Santo. O nosso compromisso é com Deus; portanto a nossa mensagem não visa agradar a homens,mas sim a Deus que conhece os nossos corações (I Ts 2:4).

Firmeza doutrinária — Não podemos ―adaptar a verdade de Deus aos interesses de nossos ouvintes, ao gosto moderno. A mensagem não é nossa; por isso não podemos simplesmente alterá-la ao nosso bel-prazer (II Co 4:2). O que se exige de nós como despenseiros, é que sejamos fiéis (I Co 4:1-2). A nossa fidelidade será medida de acordo com a nossa obediência à Palavra, não por nossa popularidade ou ―êxito como pregadores (II Tm 4:1-5; I Ts 2:4; II Co 2:17). Deus, Deus mesmo é quem chama, transforma, salva e alimenta o Seu povo, através da Sua Palavra (Lc 8:11; Rm 1:16; 8:29-30; Tt 3:5).

Ensinar com simplicidade — O homem é convertido não pela força de nossos argumentos, mas pelo Espírito de Deus. Devemos nos esforçar por apresentar uma mensagem persuasiva; todavia, que seja simples, a fim de que a fé de nossos ouvintes não seja estimulada a se amparar em nossa suposta sabedoria, que aliás não salva ninguém nem a nós mesmos. (I Co 2:1-5).

Não deturpar, mas apresentar todo o desígnio de Deus — Somos chamados a apresentar todo o conselho de Deus revelado nas Escrituras, não simplesmente aquilo que mais nos agrada (At 20:27; Gl 1:6-7; II Co 4:1-2). Devemos estar preparados para defender e confirmar o evangelho (Fp 1:7; I Pe 3:15).

Constante e evidente entusiasmo/fervor — Põe toda a alma no trabalho. Intensidade da proclamação e sensibilidade emocional. Emprega esforços sem recuar.

Ser como advogado do Senhor Jesus, no sentido de ser dominado por bem fundado fervor. Quem advoga em favor de Cristo deve, ele próprio, comover-se ante a perspectiva do dia do juízo. Spurgeon afirmou: ―Quando chego àquela porta de trás do púlpito e dou com aquela enorme multidão, muitas vezes fico apavorado. Penso naquelas milhares de almas imortais que me contemplam através das janelas dos seus olhos anelantes, reflito em que tenho de pregar a todos os que ali estão, e que serei responsável por seu sangue se não lhes for fiel. Digo-lhes que isso me deixa a ponto de recuar. Mas eis que o temor não fica sozinho. Ganho vida nova pela fé e esperança de que Deus tenciona abençoar aquelas pessoas mediante a Palavra que Ele me capacitará a transmitir. Creio que cada um daquela multidão foi mandado ali por Deus com algum propósito, e que eu fui enviado para o cumprimento desse propósito.

Não criar obstáculo — Paulo trabalhou com as suas próprias mãos, nada recebendo da igreja de Corinto; não que ele achasse injusto receber seu salário; pelo contrário, ele repete as palavras da lei, conforme a interpretação de Cristo: ―Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho.(I Co 9:14) (Mt 10:10; Lc 10:7; I Tm 5:18). O que ele não queria era causar ―obstáculos. ―…Não usamos desse direito, antes suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo. (I Co 9:12). A palavra traduzida por obstáculo (egkope), só aparece neste texto em todo o Novo Testamento, e tem o sentido de cortar uma árvore gerando um impedimento ou, abrir uma vala, que obstaculizasse o caminho do inimigo, daí a palavra tomar o sentido de ―impedimento, ―empecilho, ―obstáculo. O certo é que Paulo não queria, de nenhuma forma, ser um obstáculo no caminho do evangelho.

Ternura — Coragem mas não insolência, nem malícia, nem má vontade ou mau gênio. Exercer a dura obrigação de ser leal ao dizer toda a verdade para a salvação, mas transmitir a mensagem de modo que não o-fenda; falar a verdade com amor; ser afável e cheio de simpatia (I Co 9:19-22).

Vínculo saudável na comunidade da fé — Estar ligado a uma igreja zelosa e dinâmica que está orando pela evangelização. Conseguir irmãos e irmãs que apóiem, acompanhem e, principalmente, orem uns pelos outros, fortalecendo sua disposição evangelística.

Abertura para ser acompanhado/tutorado — É de grande ajuda unir-se a algum cristão de coração ardente que saiba mais do que nós, e nos beneficiará com sugestões sensatas.

Abnegação e Perseverança — Desprendimento evidente. O servir ao evangelho exige uma boa dose de renúncia de nossos interesses pessoais, bem como um firme propósito de realizar a obra que Deus nos confiou (At 20:24; I Ts 2:2,9-12; II Tm 1:8; 4:2-5; Fm 13). Estar sempre pronto. Devemos estar predispostos à atender ao chamado de Deus. Paulo se declara sucessivamente pronto a levar o evangelho aonde Deus o mandasse (At 16:9-10; Rm 1:15; Gl 1:15-16; At 13:1-3).

Ter o senso de urgência — “Prega a palavra… Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina” (II Tm 4:2-3). Hoje ainda temos ouvintes; mas, até quando? O senso de urgência deve nos levar a falar como se aquela fosse a última vez. A mensagem cristã deve ter sempre uma conotação de apelo ao homem para que assuma, pela graça de Deus, uma posição favorável e submissa à Sua Palavra. Contudo, devemos nos lembrar de que ―o motivo da urgência da evangelização jaz em Deus. Visto que Ele é quem é, insiste urgentemente com os pecadores para que sejam convertidos a Ele.

Ter consciência de que o trabalho depende inteiramente do Espírito da graça de Deus — Sem a operação do Espírito da graça, toda a nossa reflexão, todo o nosso esforço, todos os nossos métodos, toda a nossa oratória e capacidade de persuasão serão vãos. O poder do evangelho está no conteúdo da sua mensagem, que somente é compreendido mediante a ação do Espírito (Hb 10:29; I Co 1:17; II Co 2:1-5; I Ts 1:5; I Co 3:1-9).

C. H. Spurgeon, O conquistador de almas. PES Editora, 1993 (3ª ed.).

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