Envolvendo-se sem se embebedar

Todo cristão ao longo da história da igreja tem sido confrontado com o desafio de viver fielmente em uma sociedade pecadora — estar no mundo, mas não pertencer a ele.

As Escrituras advertem fortemente contra a exposição à cultura mundana e carnal. O apóstolo Paulo nos ordena: “ E não vos conformeis com este século” ( Romanos 12: 2 ). João também nos adverte: “ Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” ( 1 João 2:15 ). E Tiago adverte severamente: “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” ( Tiago 4: 4 ).

Obviamente, o isolamento do mundo exterior não é solução para aqueles de nós que querem agradar a Deus. Afinal, como podemos “ir e fazer discípulos de todas as nações” ( Mateus 28:19 ) se permanecermos em quarentena do mundo exterior?

O desafio, então, para todos os cristãos, é como alcançar esse mundo pecaminoso sem ser seduzido por ele — engajar a cultura sem absorvê-la. Os esforços missionários do apóstolo Paulo nos fornecem o modelo bíblico definitivo para navegar nesse desafio.

Relevância Cultural?

Aqueles que acreditam que a “relevância cultural” é o segredo para uma pregação poderosa, muitas vezes apontam para o ministério de Paulo em Atenas como um excelente exemplo de como Paulo acomodou sua mensagem e sua metodologia na cultura em que ministrou. Eles sugerem que o sermão de Paulo no Areópago é um paradigma para o ministério dirigido por uma visão de mercado.

E à primeira vista, pode parecer que eles possuem um argumento. Paulo estava pregando entre a elite intelectual da cidade. Ele falava com eles em sua própria língua, citado extemporaneamente a partir de seus próprios poetas e filósofos, e usava seu método de discurso — o debate público — como veículo através do qual ele se comunicava com eles. Não é este um protótipo adequado para a metodologia de “contextualização” e de visão de mercado?

Atos 17: 16-33 torna-se, assim, um texto-chave ao abordar inovações modernas – e fixações – em relação ao evangelho e à assimilação cultural:

16 Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade.
17 Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali.
18 E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição.
19 Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas?
20 Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso.
21 Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades.
22 Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos;
23 porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio.
24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.
25 Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;
26 de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;
27 para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;
28 pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.
29 Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.
30 Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;
31 porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.
32 Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião.
33 A essa altura, Paulo se retirou do meio deles.

As experiências do ministério de Paulo antes de Atenas representaram uma longa crônica de perseguição e rejeição. Agora ele estava sozinho em uma cidade vasta, altamente culta, mas extremamente pagã. Sua familiaridade com a cultura grega poderia ter lhe proporcionado o luxo de se infiltrar na sociedade deles virtualmente despercebido — ele certamente sabia o suficiente para se encaixar e evitar mais perseguição.

Mas como Atos 17: 16–33 revela, Paulo passou a usar sua consciência cultural para enfrentar a idolatria grosseira que era excessiva em Atenas. E como veremos nos próximos dias, o sermão de Paulo no Areópago é um exemplo de confronto cultural, e não de acomodação .

Por John MacArthur
Tradução: Tiago Hirayama
Original: Engaging without Imbibing
“Copyright 2019, Grace to You. All rights reserved.  Used by permission.”

Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Up ↑

%d bloggers like this: