Um homem contra uma cidade

by John MacArthur

Em 1 Samuel 16: 7 , o Senhor revelou a futilidade da validação humana quando comparada à percepção divina. Ele exortou Seu profeta Samuel: “ Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração”.

Pela graça de Deus, Ele concedeu ao Seu povo uma percepção espiritual semelhante. Embora não possamos enxergar os corações dos homens, somos capazes de olhar o mundo através das lentes da Palavra de Deus, enxergando além do mero exterior para as realidades espirituais disfarçadas de baixo. Por meio da obra santificadora do Espírito Santo, não precisamos ser atraídos pelo brilho, glamour e aparência exterior —podemos ver através dessas fachadas frágeis. O tempo do apóstolo Paulo em Atenas é um bom exemplo de como os crentes não devem ser influenciados pelas coisas que o mundo considera importantes ou impressionantes.

Paulo (anteriormente Saulo) foi criado sob a disciplina estritamente farisaica. “Judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade, educado sob Gamaliel, de acordo estritamente com a lei de nossos pais, sendo zeloso de Deus” ( Atos 22: 3 ); “Circuncidado ao oitavo dia, da nação de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu. . . quanto à justiça que está na lei, achado irrepreensível” ( Filipenses 3: 5–6). Ele também era cidadão romano, com conhecimento de assuntos militares e políticos. Tarso, onde Paulo cresceu e foi treinado, era uma cidade cosmopolita, de modo que a rica educação de Paulo o equipou e o preparou para qualquer cultura do Império Romano. Mesmo Atenas, durante vários séculos, o coração do mundo intelectual e artístico, não foi exceção. Paulo estava completamente familiarizado com a cultura, os costumes, a religião, a arte e a filosofia gregas. Ele era um estudioso, bem lido e bem viajado. Pelo desígnio de Deus, toda a vida de Paulo o equipara à situações como a que ele encontrou no Areópago ( Atos 17: 16-34 ).

Nos séculos IV e V AC, Atenas foi considerada por muitos a maior cidade do mundo. Alguns aspectos da cultura ateniense nunca foram igualados. Atenas atingiu o ápice da arte, literatura, arquitetura e filosofia. Nunca na história uma cidade atingiu o auge da glória naqueles campos que foram vistos em Atenas durante a era de ouro do Império Grego. Atenas ficava na província da Acaia, onde Corinto, não muito longe, era a capital. Mas Atenas ainda era o centro do mundo cultural e intelectual, assim como Roma era o centro político. Atenas era às vezes referida como a universidade do mundo — todas as grandes mentes do mundo reuniam-se ali.

Atenas também ofereceu um lar ao panteão dos deuses da mitologia grega. Todo edifício cívico em Atenas era um santuário para um deus. O local onde os registros públicos eram mantidos, por exemplo, era dedicado à Mãe dos Deuses. A peça central do prédio do conselho da cidade era um ídolo de Apolo. Um ditado popular era: “É mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem”. A cidade era pagã até o âmago; embora tivessem deuses para tudo, não conheciam o único Deus verdadeiro.

É interessante notar como Atenas afetou Paulo. Você pode pensar que, com sua formação cultural e educacional, Paulo teria ficado fascinado ao ver Atenas. A cidade estava repleta de templos magníficos, obras de arte gloriosas, edifícios majestosos, oradores atraentes, filósofos engenhosos e vistas espetaculares para interessar um estudioso como Paulo. E nos dias de Paulo, o mármore e o ouro ainda brilhavam.

Qual foi a resposta de Paulo a Atenas? “o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade” ( Atos 17:16 ). Em vez de ficar impressionado com todas as maravilhosas vistas, Paulo viu em primeiro lugar uma cidade cheia de ídolos, e isso o entristeceu grandemente.

Um dicionário bíblico do século 19 diz:

Paulo tinha a seus pés o Theseion [um espetacular templo de mármore perto do mercado] e, à sua direita, o Akropolis, com seus esplêndidos templos intactos. Tal ambiente encheria de entusiasmo todo cristão culto de hoje. Onde quer que São Paulo se virasse, seu olhar deve ter caído sobre as obras de arte severas e encantadoras que ainda adornavam a cidade decadente. Assim, uma mesa foi espalhada diante dele, da qual os humanistas do século 19 estão laboriosamente, mas felizmente, recolhendo as migalhas espalhadas. Para a imaginação semita de São Paulo, nada disso era atraente. Era para ele apenas ouro ou prata ou pedra, esculpida pela arte e pelo dispositivo do homem, obra de um período de ignorância em que Deus misericordiosamente piscou. 

F. C. Conybeare, “Aeropagus,” A Dictionary of the Bible, ed. James Hastings (New York, NY: Scribner’s, 1898), 1:144

Um escritor que viveu no tempo de Paulo visitou Atenas e escreveu seis volumes descrevendo as glórias da cidade. Se Paulo estivesse escrevendo um diário de viagem, ele teria simplesmente dito: “Está cheio de ídolos”. Ponto! Obviamente, Paulo não era estúpido ou insensível. Não era que ele não tivesse conhecimento para apreciar a cultura ateniense; pelo contrário, aqui estava um homem que era ideal para essa cidade. Mas ele tinha uma vocação mais alta e negócios mais sérios do que turismo, ou curiosidade, ou mesmo pesquisa acadêmica. Ele via mais fundo do que a fachada brilhante da cidade ou os intelectuais atenienses bem-vestidos e bem educados. E o que ele viu foram pessoas no precipício do inferno.

Atenas agitou as emoções de Paulo. A frase “o seu espírito se revoltava” emprega uma palavra grega, paroxunō(“provocado”), que fala de intensa agitação. Nossa palavra paroxismo vem dessa raiz. Paulo ficou entristecido, aflito, indignado e ultrajado com a idolatria generalizada que viu. Ele sabia que essas pessoas estavam dando glória à ídolos de pedra, que por direito pertence a Deus somente.

Paulo não pôde manter seu silêncio diante de tal afronta ao único Deus verdadeiro. Provocado para seu núcleo divino, ele estava prestes a lançar um incrível sermão evangelístico para seu público incrédulo.

Adaptado do Livro

Com Vergonha do Evangelho

Tradução por Tiago Hirayama
Original: One Man Against a City
“Copyright 2019, Grace to You. All rights reserved.  Used by permission.”

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